Iced Earth – A banda que não cansa de mudar

Estava eu ouvindo Dystopia, o disco de 2011 do Iced Earth, banda americana que trabalha solidamente numa linha bem tênue entre o heavy metal clássico e o power metal, com riffs conhecidíssimos – a ponto de se ouvir cerca de trinta segundos e já poder reconhecer o som como deles. E uma palavra vem, forte como um denso grave de um contra-baixo: MUDANÇA.

Pra quem não sabe, o Iced Earth é razoavelmente conhecido por conta dos “riffs galopantes” ou “riffs metralhadora”, que consistem num ritmo contínuo e cadenciado, contantemente trabalhado em harmonias entre duas guitarras que fazem todo um caminho conjunto, levando o ouvinte cada vez mais pra dentro da história contada pela letra. Jon Schaffer, principal letrista da banda, compositor e produtor da maioria dos discos, é um desses guitarristas que entende de toda a harmonia que o conjunto de cordas faz quando a voz soa certo, a bateria marca o tempo e a letra encaixa uma dada emoção. Há discos em que, preciosamente, a guitarra troca de lugar com os violões, criando toda uma atmosfera mais íntima, digna de trilhas sonoras de filme: evocam emoções e nos fazem imaginar a cena narrada pela voz, preenchendo cada momento dela com seus altos e baixos.

Na fase com Tim "The Ripper" Owens nos vocais, muita energia e agudos marcam o som da banda

Mas divago, pois gosto muito dos discos temáticos e, justamente, da mudança que o Iced Earth propõe em cada nova incursão: discos cheios de energia, contando histórias, alternam com discos temáticos – de filmes de horror à distopias, passando por histórias em quadrinhos – e o épico da própria banda, a série Something Wicked, que percorre três discos, dois singles e mais duas músicas em seu disco mais recente, já citado acima. É uma banda de contadores de histórias, com relativa ligação patriótica com os EUA – seu país natal, fortemente marcado na faixa 1776, do álbum Something Wicked This Way Comes de 1998 – cujos integrantes, com suas participações em outros projetos, como o excelente Demons and Wizards (um crossover do Blind Guardian com o Iced Earth), trazem toda uma gama de experiências para agregar à mudança, o tema mais constante nos discos.

Something Wicked This Way Comes

Em seus 28 anos de estrada, contando com o tempo anterior ao EP Enter the Realm, apenas Jon Schaffer se mantém ativo, vindo da formação original, e isso não é à toa: ao ouvir as músicas, dá pra entender que a mudança e o jeito de se fazer música mudam um bocado com a necessidade do que é proposto. O nível de exigência física, claramente exposto em músicas como “Wolf“, do disco Horror Show, ou “Creator Failure“, do disco Burnt Offerings, transparecem o nível de excelência que a banda mantém, anos e anos depois, como sendo seu parâmetro. Shows ao vivo intensos, com set lists tendendo a duas horas, às vezes três, músicas com seus nove ou dez minutos de duração, solos densos de significado e a introdução até inusitada de coros, pianos, violinos, alterações brutais no tom da voz – principalmente na fase em que Matthew Barlow conduzia os vocais – dão todo um novo significado ao termo “experiência musical”, que faz o ouvinte, além de experimentar a música em sua plenitude, desafiar o pensamento, com críticas fortíssimas em algumas músicas.

Meu amor às mudanças me leva a amar as músicas do Iced Earth. Se posso recomendar algo que sempre renova, inova nos textos, mas mantém uma excelente qualidade musical, é o que faço agora: conheça, corra atrás (principalmente do disco Something Wicked This Way Comes) e ouça com atenção. Posso garantir uma grata surpresa.

Grande abraço e, agradecendo a paciência, me despeço.

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Comments

  1. Benedito Breno says:

    Muito foda essa banda. Recomendadíssima! Excelente texto, parabéns! Quanto ao Iced Earth, eu recomendo o álbum triplo ao vivo ALIVE IN ATHENS, que é espetacular do começo ao fim.

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