O Rock Progressivo, o Krautrock e a Música Eletrônica

No início foi denominado Krautrock. Um som com uma nova linguagem utilizando sintetizadores começou a ser “criado” na Alemanha no período pós-2ª Guerra. O nome “Krautrock” veio devido aos aliados, na época dos ataques, apelidarem os países com os quais lutavam contra, com nomes de verduras, e a Alemanha era chamada de ‘couve-flor’, que em alemão é simplesmente “kraut“.

Automat - Automat (1978)

Pra quem curte mais música eletrônica e tiver a curiosidade de buscar alguns sons, poderão identificar em alguns discos da década de 70 algumas batidas ainda sem uma métrica muito bem definida, mas já um tanto parecida com goa ou psytrance e outras de estilo lounge/ambient. Os álbuns não seguiam uma linhagem exata e vinham repletos de estilos misturados, conforme disse anteriormente. Desta fase “pré-eletrônica”, batizada de krautrock, e indico dois discos para quem se interressar: o primeiro é o album dos alemães do Kaliumpermanganat – Krautrock (1976) e o segundo, do duo italiano Automat – Automat (1978). Compilação de 3 faixas e único lançamento do Automat, que teve a faixa “Droid” escolhida para fazer parte vinheta da TV Globo.


Dentre os músicos mais importantes do rock progressivo, cito Robbert Fripp, guitarrista da banda King Crimson que em 1969 lançou o disco In The Court Of The Crimson King originando assim o Rock Progressivo Sinfônico. Este disco em particular faz parte de minha discografia básica.

King Crimson - In The Court of The Crimson King (1969)

Fripp inicou-se musicalmente aos 6 anos tocando piano e depois passou para a guitarra aos 11, e para idealizar o In The Court of The Crimson King, juntou-se com 2 irmãos e com o baixista Greg Lake – este que no futuro fundaria o excelente Emerson, Lake & Palmer. Fripp ainda participou de 2 discos com o Van Der Graaf Generator na década de 1970, colaborando bastante com a propagação do estilo.

Textos abaixo escritos por boblopes no fórum SoundChaser:

Progressivo Eletrônico

Definir esse subgênero do progressivo, que além de complexo e regado a controvérsias, deve-se ainda separá-lo do genêro eletrônico em específico (que engloba do pop ao clássico), sem dúvida é uma árdua tarefa, mas que tentará, na medida do possível ser esclarecida nesse texto.

Definição: apesar dos diferentes caminhos seguidos pelos grupos pertencentes a esse subgênero nos últimos 30 anos, o progressivo eletrônico se baseia em experimentações com sonoridades, ritmos e melodias advindas de instrumentos eletrônicos (moogs, teclados, sintetizadores, back ups, entre outros). Além disso, esse subgênero apresenta também musicas intimistas e até mesmo introspectivas, melodias por vezes estáticas, densas ou propositalmente repetitivas e a valorização de elementos como o ambiente e o clima em sua sonoridade, fugindo do padrão comumente utilizado pelo progressivo mais “convencional”.

Histórico – da Alemanha para o mundo:

Especificamente no progressivo esse tipo de experimentação com elementos eletrônicos se desenvolveu inicialmente no movimento Krautrock (em especial com os grupos Neu!, Can e Ash Ra Temple) na Alemanha e em alguns artistas ligados indiretamente a esse movimento (Tangerine Dream em particular) entre 1970-74. Mas foi com o declínio e a dispersão do cenário entre 1974/75, que apareceriam grupos e artistas que fariam as primeiras definições da junção entre o rock progressivo e a sonoridade eletrônica.

De um lado, grupos como Kraftwerk e Tangerine Dream, que mesclando longas suítes com batidas eletrônicas e diversos efeitos sonoros em trabalhos como Trans Europe Express (1977) e Phaedra (1975), iriam servir de base para toda uma geração de músicos que flertaria com o som eletrônico nas décadas seguintes.

Por outro, alguns artistas que pertenciam ao cenário Kraut iriam inserir suas experimentações em trabalhos de artistas Inlgeses e Americanos. Nesse caso, destacam-se os músicos Michael Rother (Neu!), Holger Czukay e Irmin Schmidt (Can) e Manuel Göttsching (Ash Ra) que ao contribuírem com artistas como Brian Eno, dariam uma importante ajuda para a junção entre os dois estilos. Klaus Schulze (Tangerine Dream) também seria um nome importante no cenário, utilizando-se dessa mistura, às vezes de forma extremada, nas décadas seguintes.

Experimentações ao redor do globo:

Enquanto os alemães “criavam” e desenvolviam o estilo, em outros países alguns artistas em isolado davam sua contribuição para o seu desenvolvimento. Na Inglaterra, Músicos como Brian Eno e Robert Fripp brincavam em utilizar essa mistura entre o prog e o eletrônico através da utilização de intricados equipamentos (chamados de Enossofication e Frippertronics) já em 1972. Os dois posteriormente cairiam de cabeça nessa junção, criando longas peças ou brincando com diversos estilos e elementos sonoros. Ambos também iriam desenvolver o estilo Ambient (longas, tranqüilas e estáticas suítes) e o Soundscapes (baseados nos efeitos e experimentações) que também serviriam de base para muitos músicos nos anos 90.

Nos EUA Wendy Carlos sem dúvida foi a principal representante dessa evolução, experimentando, às vezes de forma exaustiva, diversos efeitos sonoros na sua música (um bom exemplo desses experimentos podem ser vistos na trilha do filme Laranja Mecânica de 1972). Na França, Richard Pinhas (inicialmente com o grupo Heldon e posteriormente solo) e Jean Michel Jarre também seguiriam, em caminhos opostos, nessa ousada mistura.

O Progressivo Eletrônico e os anos 80:

Na década de 80, a música eletrônica começa a ir de encontro a outros estilos que a fariam ficar mais diversificada e complexa.

No Techno e em especial no som Industrial, oriundos dessa década, grupos precursores como Throbbing Gristle, Cabaret Voltaire, Front 242 e Einsturzende Neubauten, influenciados pelo krautrock, fariam a mistura de elementos eletrônicos e experimentações tipicamente progressivas com o peso e dissonância do punk rock e do hardcore. Já artistas como Steve Roach e Robert Rich, seguiriam por um caminho bem diferente, apostando em longas suítes e em elementos e melodias mais suaves e introspectivas.

Já na new age, músicos como Kitaro, Emerald Web e Yanni, com influências de Brian Eno e Mike Oldfield, criavam um som ligado ao experimentalismo e ao ambiente, porém, criando uma sonoridade mais acessível e até mesmo um tanto plastificada e comercial.

Nessa época, tanto o Kraftwerk quanto o Tangerine Dream acabavam de entrar de cabeça numa sonoridade eletrônica incluindo elementos mais acessíveis, típicos do período, nos discos Man Machine e Electric Café (Kraftwerk) e em White Eagle e Le Parc (Tangerine Dream).

Dos anos 1990 até hoje

Mas é na década de 1990 que surgem as principais controvérsias entre a definição das bandas e, principalmente, sobre a sonoridade ligada ao “progressivo eletrônico”.

Isso se deve as divisões do cenário eletrônico em diversos estilos e gêneros como o Tribal, Trip Hop, Drum n’ Bass, Garage, entre outros. Com essa tão diversificada divisão, o termo e a definição de progressivo no gênero Eletrônico se diluiu e algumas confusões sobre o uso do termo começaram a acontecer. Entre todas essas divisões, devemos destacar especificamente o surgimento do gênero Trance, na verdade uma espécie de continuação dos experimentalismos e das longas suítes dos anos 70.

Nessa década, pelo menos dois novos grupos podem ser citados como seguidores do som feito pelos setentistas. O The ORB, dupla de DJs inglesa, que mescla influências de Brian Eno e Pink Floyd e o Orbital, grupo também influenciado por Floyd, com pitadas de Mike Oldfield e Kraftwerk. além deles, destaca-se também uma nova geração de grupos como Autechre e Eat Static e de artistas como Paul Van Dyke e Alio Die.

Especificamente no progressivo, podemos citar alguns artistas de vanguarda (em especial no Rock In Opposition) que se utilizam dessa parceria com o eletrônico desde meados dos anos 80 até os dias de hoje, com resultados muito positivos. Devemos citar também artistas já consagrados como Steve Hillage, que participam de projetos exclusivos a música eletrônica e músicos como Bill Laswell, Mannheim Steamroller, Anders Helmerson e Mikhail Chekalin, que com projetos e trabalhos sempre inovadores, renovam os laços entre o prog e o Eletronic Sound.

Atualmente, a cena eletrônica esta avaliando melhor a influência do progressivo dentro de sua musica, a ponto de surgirem novos cenários, como a Progressive Trance, Progressive House, entre outros. Apesar de um tanto indefinidos, é um excelente sinal que mostra a interação entre os dois estilos e, principalmente, a evolução que ocorre dentro do progressivo que segue o caminho do eletrônico.

Grupos de Destaque:
Kraftwerk
Tangerine Dream
Popol Vul
Einsturzende Neubauten
Cabaret Voltaire
The Orb
Orbital
System 7
Eat Static
Aphex Twin
Future Sound of London

Artistas de Destaque:
Brian Eno
Richard Pinhas
Klaus Schulze
Yasuaki Shimizu
Robert Fripp
Paul Van Dyke
Bill Laswell
Alio Die
Robert Rich
Steve Roach
Mikhail Chekalin

Discografia Recomendada (Ordem Alfabética)

Alio Die – Password For Entheogenic Experience (1997 – Hic Sunt Leones)
Anders Helmerson- Fields Of Inertia (2002 – Som Interior)
Brian Eno – Discreet Music (1975 – EG)
Brian Eno – Ambient 1: Music For Airports (1978 – Virgin)
Cabaret Voltaire – Red Mecca (1981 – Rough Trade)
Jean-Michel Jarre – Oxygene (1976 – Polydor)
Kraftwerk – Autobhan (1974 – Philips)
Kraftwerk – Radio Activity (1975 – Kling Klang/EMI)
Kraftwerk – Trans-Europe Express (1976 – Kling Klang)
Mikhail Chekalin – Concerto Grosso Nº1 &  Nº2 (2001  – Boheme Music)
The Orb – U.F.ORB (1982 – BigLife)
The Orb – Orblivion (1996 – Island)
Orbital – In Sides (1996 – FFRR)
Robert Fripp – Let The Power Fall (1981 – Discipline)
Steve Roach- Structures From Silence (1984 – Fortuna)
Tangerine Dream- Phaedra (1974 – Virgin)
Tangerine Dream – Stratosfear (1976 – Virgin)

Tangerine Dream - Stratosfear (1976)

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Comments

  1. Felipe Nicácio says:

    Reportagem espetacular.
    Parabéns.

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