Mákina, é hora de refletir

Por Monique Malcher

Publicado no blog Monique Malcher.

“Somos uma banda feia de rapazes sem talento”, feia eu não sei, mas sem talento discordo, Mákina tem talento de sobra.
Uma bateria em forma de metralhadora, um vocal gutural e uma pró atividade nas redes sociais diferente de algumas bandas do estilo.
Às vezes as bandas estão preocupadas em apenas tocar, mas esquecem do relacionamento com os fãs ou com os possíveis fãs. É uma relação de conquista e divulgação natural que supostamente deveria acontecer.
Eu pelo menos dou muito valor a esse tipo de atenção que uma banda reservam para os que acompanham e ouvem seu som. Mákina é uma banda com um som agressivo, mas feito por meninos que de agressivos não tem nada. A agressividade deles se chama “força de vontade de fazer as coisas acontecerem”.
Refletir é uma atitude que nos leva a caminhos diferenciados, toda vez que fazemos esse exercício nem sempre estamos prontos para o inesperado. A banda é formada por garotos que escolheram além de fazer música, refletir. Pelo menos é assim que os vejo quando tocam, durante as conversas que tive on-line com eles ou simplesmente analisando a descrição que os próprios fazem da banda.
Falar sobre o cotidiano da periferia (principlamente no caso de Belém), é escolher não estar passivo. Eles refletem sobre a realidade e fazem as pessoas embarcarem nesse pensar. Tudo isso só se entende ao vê-los no palco.
Não sou nenhuma expert sobre o movimento hardcore, na verdade tenho aprendido com o tempo sobre tudo, musicalmente falando, mas o principal não é saber detalhes do estilo, o tesouro de ouvir música está em sentir, em extrair uma mensagem que vire uma segunda pele, não como máscara para um esconderijo pessoal, mas para reforçar o que se é.
O hardcore é uma experiência única para quem ouve e conhece, são as vozes urbanas, criticando a realidade social. Os gritos e toda a agressividade vista em palco é uma forma de exteriorizar ideias (já falei em outro post sobre exteriorização e estilo).
Mákina rock rápido

Mákina Rock Rápido

A sensibilidade de perceber as transformações ou os entraves sociais também é do hardcore, não só do punk, se bem que de certa forma eles dialogam entre si. Sim, isso mesmo, existe sensibilidade na agressividade.
Li um artigo de um mestrando chamado Roberto Oliveira, no qual ele dizia que o hardcore não é música para fazer você relaxar ou esquecer dos problemas. Deve ser por isso que tem gente que fica perturbada com o “barulho”, não é? (risos)
Afinal de contas é mais fácil não lidar com os problemas, se acomodar é como um sófa bem fofinho que não dá vontade de sair. Mákina vem nos lembrar que refletir é preciso. Como uma espécie de planejamento prévio para nos tornarmos parte da mudança que queremos ver.
Andre Fanho (vocal), Pëixë (Vocal), Sanderson (guitarra), Bruno feio (baixo) e Rafael PB (bateria) estão começando e tem tudo para continuar muito bem obrigado.
Mákina

Mákina

Quem quiser conferir o som do Mákina, tem show  dia 27 de novembro no Fuxico e dia 10 de dezembro no Cultura Estudio.

leia mais

images

Rock para os namorados

Mês de junho… Sabe como é, né? Dia 12 é o Dia dos Namorados, e você aí, sem ideia do que fazer pra sua pequena… Ela já deve estar enjoada das mesmas coisas de sempre e tudo mais… Então, que tal você fazer um CD com umas músicas bonitinhas pra ela? Mas tem que ser […]

The-Ramones1

Cinco músicas originais e suas versões

Músicas boas sempre marcam as vidas das pessoas. Porém, muitas delas ficaram conhecidas mais pelos regravações do que por suas versões originais. Sendo assim, decidi separar algumas dessas sereníssimas canções para que possamos, juntos compará-las com seus respectivos covers. Vamos lá?   1- I fought the law     Em sua versão de 1966, vemos Bobby […]

2c8baa627f6911e2934722000a9f3cae_6

O que ouvir em uma viagem? A trilha sonora perfeita para “o pé na estrada”

Qualquer viagem começa com o planejamento – Onde ir? Depois da resposta a esta primeira pergunta, começamos a pesquisar locais para conhecer, os mais famosos, os mais recomendados, os mais conhecidos, os mais difíceis, os pontos turísticos e como chegar em cada lugar. Roteiros. Viajar é principalmente praticar o desapego. É desligar-se totalmente das preocupações que […]

Comments

  1. Pietro alvarenga says:

    Pow! Legal! Pensei que a senhora so gostava dos ursinhos carinhosos!! Makina core!

    • Pietro eu levava meus ursos pro rock rs brincadeira🙂
      E Lee, apesar do Marcelo sugerir outra pessoa que realmente faria um ótimo texto, vou guardar esse pedido, caso o Gio não escreva rola mesmo eu fazer um texto sobre.🙂

      • Marcelo Lopes ( Papel ) says:

        Apenas citei o Gio, porque ele conhece muito sobre filhos de emprega. E faz um bom tempo; ele mostrava para gente o som e comentava. ehhehe Fiquei surpreso de alguém lembrar dessa banda.

  2. Lee ribeiro says:

    Monique gostaria que você falasse sobre duas bandas paraenses que acho que já encerraram suas atividades (infelismente) são elas: Filhos de empregada e Amplificador de Brinquedo (amptoy) por favor. Deixo o pedido em forma de sugestão! Há braços,,,

    • Marcelo Lopes ( Papel ) says:

      Acho, que a melhor pessoa para escrever sobre os filhos de empregada é o GIO. Ele acompanhou essa “história”; vou sugerir o tema. Abraço.

Trackbacks

  1. […] tem o Criaturas de Simbad que é a outra banda do Felipe como eu já citei antes, tem o Mákina que já é de uma nova safra de bandas, tem o Derci Gonçalves que já tocou na Verdurada também, […]

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: