Canções de Guerra, o novo disco da Pública

Angústia, decisão, a batalha interna de cada dia. Canções de Guerra é o terceiro disco da banda gaúcha Pública. O primeiro resultado de uma convivência longe de suas origens e da cena de Porto Alegre ( hoje eles têm residência em São Paulo).  Um disco recheado de boas canções. Um recado sincero: Resistimos!

Pública | Canções de Guerra

Nesta guerra não declarada contra o mainstream (ou contra a própria angústia), a banda embarcou em uma empreitada de gravar no Rio de Janeiro e ter a pós produção no Rio Grande do Sul. Mas o caminho não foi fácil. Você pode ler detalhes da produção no blog: http://cancoesdeguerra.blogspot.com/. A produção é assinada pela banda, Marcelo Lobatto (integrante do O Rappa!) e conta com apoio de Marcelo Fruet ( produtor do premiado disco Como num filme sem um fim). Talvez você não conheça o trabalho de “Lobattinho”. Além de um pesquisador de ritmos africanos, o músico tem participação em ótimas produções do meio musical, como no disco do Chico Sciense & Nação Zumbi, Afrociberdelia . O cara entende do riscado. O resultado que “Canções de Guerra” é  uma ótima produção para padrões independentes.

O groove é peculiar no trabalho de Lobatto, que provavelmente a banda já buscava algo nesta linha, desde o ótimo disco Como um filme sem um fim. As influências deste trabalho são Stevie Wonder, Michael Jackson, rock inglês, Bob Marley, John Lennon, Milton Nascimento, Clube da Esquina por exemplo. Lembro de uma conversa com o Guri Assis (guitarrista da Pública ). Ele “apresentou” o som do Stevie Wonder para turma do Durango95‘ – A música era “Superstition” (veja essa pedra do funk aqui) – Um embrião de ideias. O som deve ter aberto uma nova sonoridade na mente do grupo. A primeira música do disco é “Das coisas que não fui” é tem essa levada. Boa lembrança e a canção para levantar o público.

O grupo se permitiu neste disco deixar ainda mais suas influências e sonoridades ganharem instrumentos pouco usados na banda, desde percussão e técnicas de estúdio, até um sampler em “john” foi usado (uma bela homenagem ao Beatles) e delay de dub em “Apagar das luzes”, que abusa desta técnica de estúdio. O ar psicodélico do som jamaicano, assim como uma levada de reggae em “Lembro que eu me lembro”. O piano de “Jazzmine” é algo lindo e soma as belas canções do disco. Acredito que seja a primeira música em inglês em toda a discografia da banda.

Neste universo de novas canções, a banda experimenta uma nova formação. Sem os parceiro Cachaça (baterista) e Amaro (teclado e piano) que não embarcaram na odisseia que é fazer rock. O grupo ganhou a experiência de Alexandre Loureiro, vulgo Papel – conheci alguém com meu apelido, boa praça e bom de papo -,  um baterista com sonoridade diferente já feita pelo grupo e dentro do experimentalismo sonoro que hoje povoa o som, você percebe em “Apagar das luzes” pontual e cheia de “cortes” a bateria.

Pública: Pedro Metz, Guri Assis, Guilherme e Alexandre.

Pedro Metz.

Sempre achei que as poesias do Pedro Metz eram bem colocadas e isso mostra que ele se preocupa em passar boas mensagens. Alguns momentos pode parecer bem sóbrio como “Apagar das luzes” e ” Silêncios”, ou até envolto de uma saudade singela como ” Corpo Fechado” e o sofrer calado de “Não há outro caminho”. Ele é um dos melhores compositores de sua geração.

No entanto,  neste disco, você precisa de um pouco mais de audição para entender. Não são composições dentro daquele velho padrão: refrão, verso, refrão. O lado poético está em cada palavra bem colocada e a música arranjada dentro de um experimentalismo. A musicalidade mineira do Clube da Esquina é uma das influências, que dão o tom e ritmo. Algo, fácil de perceber em “O homem” e “Pouca estradas pra cedo envelhecer”. Genial!

Já dizia o “velho” compositor mineiro Lô Borges:  “Nada a temer, nada a conquistar, depois que esse trem começa, andar, andar, deixando pelo chão, os ratos mortos na praça”. Poucas estradas para cedo envelhecer. A Pública lança Canções de Guerra, deixa suas experiências e influências andarem pelo disco, sem temer, com vibrações de quem enfrenta uma guerra. Em terras áridas de criatividade, o disco é pop, experimental e um bom exemplo de rock nacional independente bem feito. Vale apena!

Canções de guerra é um belo recado. Seguir com fé, temos muito o que aprender. Todo o mundo pra mim, todo o mundo para nós!

O grupo disponibilizou a audição completa do disco no facebook e conta com apoio de fãs espalhados por diversos cantos desse país para divulgar sua música. Uma verdadeira guerra.

Ouça em: Página da banda

Ou download  do disco completo no site:

http://www.publicaoficial.com/

Veja o clip do single “Corpo fechado”

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Comments

  1. Marcelo Lopes ( Papel ) says:

    Só para corrigir: A produção é assinada pelo marcelo fruet e não pelo lobato! O lobato cedeu gentilmente o estúdio e tocou em algumas faixas!

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