E o rockabilly vai muito bem, obrigado

Por

Renato Purkhiser

Acredito que todos vocês que acompanham o blog da Durango95′ já viram ou ouviram falar de Julian Miles Holland, ou simplesmente Jools Holland como é mais conhecido. Figura carimbada da cena musical inglesa, dono de uma inconfundível voz estridente e esganiçada (coloco no MUTE sempre que ele começa a falar) e membro fundador da banda pop Squeeze, que vendeu milhões nos anos 1980. Hoje em dia, Jools é bem mais conhecido por seu programa musical na rede BBC “Later…with Jools Holland”. E se por acaso você o reconhece de Urgh! A Music War, então este post foi escrito pensando em sua pessoa.

Imelda May

Em algum lugar em 2009, passeando pelos canais da TV a cabo (cuja programação há muito tempo se tornou um verdadeiro lixo), dei a sorte de assistir a uma reprise do seu famoso programa. Entre uma atração e outra, eis que fico pasmo ao me deparar com Imelda May, ali, onipotente, fazendo uma brilhante apresentação de “Johnny got a Boom Boom”. Para mim foi uma situação completamente inesperada, quer dizer, eu já ouvia um certo burburinho sobre ela nos blogs de rockabilly que acompanho e, ainda assim, aquilo me pegou totalmente desprevenido.

Imelda May começara a tomar o mundo do rockabilly de assalto. Era lógico que não se tratava de uma one-hit-wonder. Imelda já batalhava há alguns anos por boates e clubes noturnos pelo Reino Unido. Sua banda contava com o guitarrista e marido Darrel Higham, figura bastante conhecida no underground.
Aquela aparição no programa foi um divisor de águas na carreira de Imelda. Ao mesmo tempo, nos mais diversos fóruns e sites sobre rockabilly começaram a rolar muitas especulações. Parecia haver um certo anacronismo em pleno anos 2000; Elvis Presley voltara aos holofotes em 2002 com o disco 30#1 Hits e o remix de  “A Little Less Conversation” e a moda retrô era algo que havia retornado com vigor nos anos seguintes. Contudo, algo ainda faltava, um elemento chave para completar este triângulo do fogo e ocasionar uma explosão do rockabilly no mundo musical. A pergunta era, seria a bela irlandesa a fazer a coisa esquentar até entrar em combustão?

Eu meio que já sabia que era algo bem improvável. Esperei a poeira baixar. Logo em seguida veio o rockabilly universitário do The Baseballs com seu cover de “Umbrella” tocando em todas as rádios da Europa, mas felizmente a época das boy bands já havia chegado ao seu ômega. O rockabilly estava seguro, não viria a se tornar a próxima fonte de exploração da mídia. Podem até chamar de torcer contra, mas fico bem mais tranquilo com o rockabilly exatamente onde ele está. Não quero correr o risco de ligar a TV e me deparar com as sorridentes dançarinas do Faustão bailando ao som de “Stray Cat Strut”. Seria demais para meu pobre coração retrógrado.

O rockabilly é o rock’n’Roll em seu mais puro estado. É quando a inocência, a rebeldia e a diversão convergem. Foi o primeiro ritmo a embalar os “baby boomers”, assim como a música que serviu de trilha sonora para os primeiros adolescentes já que antes disso a adolescência era algo praticamente inexistente, ou pelo menos a cultura adolescente era. Vivia-se em épocas onde se passava do “pira-esconde” direto para o terno e gravata.

Os anos 60 chegaram e o rock’n’Roll passou a sofrer mutações até se tornar simplesmente rock. Bandas começaram a fazer discos conceituais, letras passaram a ser poemas complexos, veio a psicodelia e o resto, vocês sabem, é história. Apesar de passada a erupção, o rockabilly foi um vulcão que sempre permaneceu bem ativo. Teddy boys, rockers, neo rockabillys, psychobillys, e todos os mais “billys” que você puder imaginar sempre mativeram a chama acesa. E assim, apesar de longe dos holofotes, durante todos estes anos, o estilo está longe de ser algo ultrapassado.

Annie 7 The Malagueta Boys

“O Rockabilly está no underground há 50 anos. E é o underground, UNDERGROUND mesmo, e eu acho que lá ele tem que continuar”. Faço minhas as sábias palavras de Sonny Rocker, baixista do Crazy Legs, no documentário “Nostalgicamente Novo”.

E para mostrar que o Rockabilly está muito bem, obrigado, aproveito para mostrar alguns vídeos de bandas mais recentes, que valem muito a pena assistir.

Porque o Jools Holland, apesar de gente boa, não passa essas maravilhas todo dia. E melhor ainda, aqui ninguém precisa aturar aquela vozinha chata.

Enjoy!

Imelda May
Embora ainda prefira Del-Moroccos e Kim Lenz, tiro meu chapéu para Imelda. A moça é dona de muito talento.

JD Mcpherson
Vindo de Oklahoma, JD gravou um discaço em 2010 e vem tocando pelos principais festivais de Rockabilly do mundo.

Annie 7 The Malagueta Boys
Os curitibanos vem apimentando a cena com um Rockabilly com influências de jazz e swing.

Tom Stormy Trio
Banda da Hungria, do batera Tom Stormy, que fez parte da tambem excelente Mystery Gang Rockabilly Trio.

Nick Curran
Já tocou com gente como Kim Lenz, Ronnie Dawson e Wayne Hancock.

Mystery Trio
Antigo Flatheads, curitibanos que usam formação clássica do Rockabilly.

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Comments

  1. NOSSA! Parabéns pelo texto. Eu realmente faço de suas palavras as minhas. Sempre curti Rock’n’Roll de diversos generos, mas o Rockabilly e afins sempre foram da minha raiz. Você quase me fez chorar ao escrever “O rockabilly é o rock’n’Roll em seu mais puro estado. É quando a inocência, a rebeldia e a diversão convergem.” Bravo, bravo! Parabéns, and KEEP ROCKIN!

  2. BILLY JOE says:

    EXCELENTE MATÉRIA!!

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