Judas Priest: do hard ao heavy metal

por Daniel Leite

Belém/PA

O Judas Priest surgiu em Birmingham, Inglaterra, no ano de 1969, tornando-se importante banda da NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal ou Nova Onda do Heavy Metal Britânico) e do mundo por modificarem o modo de se tocar rock n’ roll: duas guitarras, riffs dobrados retirados do blues, velocidade e – temos que citar – roupas de couro e tachinhas, que adornam até hoje integrantes de algumas bandas do mundo todo.

Cinco anos passaram-se até que a banda se consolidasse de fato e lançasse seu primeiro álbum, intitulado Rocka Rolla (1974), produzido por Rodger Bain, que fez seu nome produzindo os três primeiros discos do Black Sabbath.

Judas Priest toca a música tema do disco “Rocka Rolla” ao vivo na BBC, no programa ‘The Old Grey Whistle’, em 1975 – visual hippie antes das tachinas e das roupas de couro:

A banda, que teve seu nome retirado de uma canção de Bob DylanThe Ballad Of Frankie Lee And Judas Priest, só começou a ter maior repercussão depois do segundo disco – Sad Wings of Destiny (meu preferido), de 1976, que rendeu a banda seu primeiro contrato com uma grande gravadora (a CBS) e, no ano seguinte, o Judas Priest já começou a figurar nas paradas britânicas após a gravação do Sin After Sin. O novo álbum trazia um cover, tocado em shows até hoje, da música “Diamonds and Rust” da cantora folk Joan Baez (abaixo vai um vídeo ao vivo na turnê de 1982 do álbum Screaming for Vengeance):

Não muito diferente de Bob Dylan, a partir de então o Judas Priest começou a lançar clássicos atrás de clássicos a cada novo disco. Em 1980 a banda lançou o British Steel e tornou-se uma das principais precursoras do NWOBHM, com sucessos lembrados até hoje como como “Breaking The Law” e “Living After Midnight”, rendendo ao Judas um disco de ouro nos Estados Unidos.

Metamorfose e saída de Rob Halford

Turbo (1986) é lançado pela gravadora Columbia e carimbado como o disco mais polêmico da banda, no qual a produção buscou encorpar ao álbum a sonoridade oitentista característica da época, provavelmente para torná-lo mais comercial, utilizando instrumentos eletrônicos e sintetizadores. Apesar do sucesso de vendas, o Turbo não foi bem aceito pela crítica e pelo público, e o Judas aos poucos começa a tentar retomar suas origens com o disco sucessor – Ram It Dawn (1988), que, no entanto, é considerado, por alguns, o período mais baixo da carreira da banda.

Não durou muito e o Judas Priest deu a volta por cima com o lançamento de Painkiller (1990). Com um som extremamente rápido e pesado, a banda voltava ao topo com um heavy metal tocado em sua melhor formação: Rob Halford (vocal), K. K. Downing e Glenn Tipton (guitarras), Ian Hill (baixo) e Scott Travis (bateria). O disco é exatamente como começa a faixa título “Faster than a bullet”, e praticamente todas as músicas desse disco tornaram-se hinos, de onde destacamos as faixas “Painkiller” e “Metal Meltdown” com seu furioso solo de introdução:

E com esse discaço nas prateleiras o Judas entra em turnê e passa por aqui na segunda edição do Rock In Rio, apresentando-se juntamente com Megadeth e Queensrÿche. E ao final da tour, em 1992, Rob Halford deixa a banda devido a conflitos internos e, buscando uma nova sonoridade, monta o Fight, banda de trash metal que ficou em atividade de 1993 à 1995, por onde Halford chegou a lançar 3 discos pela gravadora Sony.

Após a saída de seu frontman, o Judas Priest entrou num período de incógnita por longos anos, voltando a ativa somente  em 1996, com a entrada do novo vocalista – Tim “Ripper” Owens.

Uma história digna de roteiro de um filme

Tim Owens, americano, nascido em Ohio em 1967, iniciou sua carreira musical como vocalista em algumas bandas autorais de pouco destaque no mundo do heavy metal. Quem diria que o cara se destacaria por cantar em uma banda cover?!?!? Mas é isso mesmo… Tim recebeu o apelido “The Ripper” (nome de uma das faixas do disco Sad Wings of Destiny, 1976) quando cantava na banda British Steel, que era um cover do próprio Judas Priest!! E assim, aquele que um dia era somente um fã, passou a ser integrante da banda de seus heróis da juventude.

É claro que essa história poderia virar um filme – e virou: em 2001 o diretor Stephen Herek baseou-se nessa história para criar o filme Rock Star, que a priori seria um filme biográfico sobre o Judas Priest, entretanto não foi autorizado pela banda e os nomes dos personagens foram trocados.

“The Ripper” cantou no Judas Priest por 7 anos, gravando 2 álbuns de estúdio, 2 ao vivo e mais um DVD com a banda, além de um boxset com somente 4 faixas chamado Metalogy (2004). Deixou a banda para cantar no Iced Earth (2003 à 2007) e atualmente é o vocalista da banda de Yngwie Malmsteen. Finalmente as portas se abrem e Rob Halford volta ao Judas Priest depois de mais de 10 anos longe da banda.

O retorno de Rob Halford

Em 2004, a banda se apresenta pela primeira vez no Ozzfest já com a nova formação e os rumores sobre a volta de Rob Halford ao Judas acabaram por se mostrarem verdadeiros. A clássica sonoridade do Judas Priest é retomada com o lançamento do álbum Angel of Retribution que teve ótima aceitação de crítica e público e na turnê deste disco a banda volta ao Brasil naquele mesmo ano. O sucesso foi tão grande que os shows da tour geraram o DVD “Rising In The East” e 3 anos após a tour, a banda lança o álbum duplo Nostradamus (2008), altamente conceitual.

Judas Priest no Brasil em 2011

Atualmente a banda realiza a turnê “Epitaph World Tour”, que irá passar pelo Brasil em shows juntamente com o Whitesnake, nas seguintes datas e locais:

10/09 São Paulo (Arena Anhembi)
11/09 Rio de Janeiro (Citibank Hall)
13/09 Belo Horizonte (Chevrolet Hall)
15/09 Brasília (Ginásio Nilson Nelson)

Segundo informações da produtora do evento, a Time 4 Fun, os ingressos estarão disponíveis para venda a partir de 14 de junho. (Prometemos em breve maiores informações).

Judas Priest Discografia

Rocka Rolla (1974)
Sad Wings of Destiny (1976)
Sin After Sin (1977)
Stained Class (1978)
Killing Machine (1978)
Unleashed in the East (ao vivo) (1979)
British Steel (1980)
Point of Entry (1981)
Screaming for Vengeance (1982)
Defenders of the Faith (1984)
Turbo (1986)
Priest…Live! (ao vivo) (1987)
Ram It Down (1988)
Painkiller (1990)
Jugulator (1997)
’98 Live Meltdown (ao vivo) (1998)
Demolition (2001)
Live in London (ao vivo) (2003)
Angel of Retribution (2005)
Rising in the East (DVD ao vivo) (2005)
Live Vengeance ’82 (DVD ao vivo) (2006)
Nostradamus (2008)
A Touch of Evil live (ao vivo) (2009)

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Comments

  1. Anônimo says:

    muito boa a essa materia

Trackbacks

  1. […] apresenta Música Crocante. Caso, prefira o “gordural” seu link é outro, é esse aqui. Agora, goste do Autoramas, abstraia e o player abaixo é uma degustação do disco. Autoramas […]

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