“Oh Trash, don’t take my love away!” – A Radio Trash por Renato Purkhiser

– E aí bicho, qual a boa de hoje?
– Não sei cara, parece que tem uma festa Trash no Armazem, não tenho certeza do que se trata…
– Trash é? Será que rola um Ska ou um Psychobillyzinho de leve?
– Hahaha, vai sonhando Renato…

Quatro amigos. Gostos musicais em comum. Rodadas de cerveja e o lampejo de uma ideia. É, você já viu isso antes e provavelmente mais de uma vez. Fossem os amigos em questão talentosos, seria o nascimento de uma banda, mas como não era o caso, significava então a criação de mais um “coletivo” em Belém.

Radio Trashers

Do início dos anos 2000 pra cá, a cidade viu o surgimento dos mais diversos coletivos musicais. Eu na verdade nem era muito familiar com o termo até fazer parte de um. Também não sei explicar o porque do surgimento de tantos, acho que talvez o avanço da internet tenha trazido uma difusão maior de estilos diferentes entre os jovens, ou talvez sejam simplesmente os órfãos da Insãnu tomando as rédeas da situação.

No caso específico da “This is Radio Trash”, o que prevaleceu foi o fato de querermos ver o rockabilly, garagem, ska, psychobilly, surf music e alguns estilos derivados dos mesmos terem uma divulgação maior. Pra gente era como se estes estilos sempre tivessem vivido à margem do underground. Mesmo entre os toscos, era incomum encontrar simpatizantes.

screaming-jay-hawkins

Acho que uma curiosidade que talvez tenha acrescentado à Radio Trash algum diferencial tenha sido o fato de ter surgido em um momento e local totalmente desfavoráveis: 2008, Belem do Pará, ano bem mais amigável a galera do “Indie”, e cidade onde “ser roqueiro” sempre foi motivo de reprovação daquele tia religiosa que todo mundo tem.

Exceto pela moda “Vintage-Pinups-Elvis” que aparecia aqui e ali, nada de nossa temática musical era popular, tinha clipe na MTV ou fazia parte de alguma nova onda no underground. Lembro que nas primeiras festas, a grande maioria era de curiosos que estava ali mais pelo evento que pela música. A maioria só deu as caras nas primeiras mesmo. Depois devem ter pensado: “Psychobilly é? Ah tá.”

Três anos passaram voando. Muita cerveja lambida do chão, bandas legais, fatos curiosos e novos amigos. O mais legal de tudo foi a gente ter conhecido os poucos adeptos de “Radio Trash music” perdidos pela cidade. Imagina a felicidade de após um set, a pessoa chegar e indagar “que música foi aquela do Link Wray que você discotecou?”. Momentos de epifania que ficam pro resto da vida.
flyers

Mas como já disse Henry Rollins. “You are just a fucking DJ in a Turntable!” E concordo com ele em gênero, número e grau. Infelizmente não toco nenhum instrumento, então o CDJ foi o que me restou. Fico então na torcida de algum dia ver uma banda de algum dos estilos “radiotrashianos” surgir aqui em Belem. Aí sim, a diversão será completa.

E só para deixar registrado, naquela noite no Armazem rolou até Balão Mágico mas não rolou a porra do Ska e do Psychobilly. Só aí vim sacar do que se tratava.

Confusões a parte, achei que era o momento de “tomar de volta” o termo. E da mistura de Clash e New York Dolls rolou a idéia do nome.

THIS IS RADIO TRASH!

Daí em diante, perdi o medo de festas com “Trash” no nome. Nessas voces podem vir sem medo que a unica musica da Xuxa que vai rolar é aquela “Marquei um 666 no seu coração”.

“I’m looking for something I ain’t had before, I want some new kinda kick!”
(Lux Interior)

Renato Purkhiser
“Stay Trash!”

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Comments

  1. Tio Fofinhu!!! Eu acho que essa parte tá errada: “Depois devem ter pensado: ”Psychobilly é? Ah tá.””. Acho que deveria ser: “Psycobilly, ska, garagem, surf music? Nem sei a diferença disso.”

    Beijos tio!

  2. Nice!!!

  3. hehe é mais ou menos isso mesmo.

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