Misfits se apresentam em show marcado por problemas técnicos e falta de segurança

Por Filipe Larêdo

de São Paulo/SP

Realmente não é fácil falar dos Misfits. Uma banda como essa, que possui tantos anos de estrada, sempre merecerá todas as reverências possíveis. Afinal de contas, não é  qualquer um que tem suas músicas cantadas por multidões de fãs em qualquer lugar do mundo.

São Paulo teve, assim como anteriormente, o privilégio de receber a lendária banda de horror punk 77 e pôde apreciá-la de graça na Virada Cultural 2011. Os Misfits empolgaram o público logo “de cara” entoando “Halloween” e “Some kind a hate”, e continuaram com a mesma energia nas “Die die my darling” e “Teenagers from mars”. Mas os elogios param por aí, com a banda.

A Virada Cultural tinha tudo para ser um evento de grande sucesso. E, segundo alguns parâmetros, foi. Bandas conceituadíssimas participaram do evento e cerca de 4 milhões de pessoas estiveram nas ruas do centro da capital. Porém, uma parte – das pessoas – não estava apenas para festejar.

Brigas, assaltos, vandalismo e desrespeito infectaram o que poderia ser um conceitual evento público. E quem foi às ruas para assistir suas bandas favoritas foi prejudicado por pessoas que não tinham o mínimo senso de coletividade.

O vocalista Jerry Only, membro fundador da banda, teve que, por duas vezes, pedir aos insistentes invasores de palco que descessem e o permitissem tocar. Mas eles não escutavam e, ao contrário, já começavam a escalar as torres de iluminação. Um cenário de catástrofe se formava, mas o show precisava continuar.

O momento crítico da violência ocorreu após uma séria briga no corredor do lado esquerdo do palco. Com a intervenção da polícia, pessoas inocentes foram agredidas, gás de pimenta acertou quem não merecia e até uma viatura invadiu o espaço reservado para o público. Instintivamente as pessoas começaram a fugir pelo corredor. Porém, um obstáculo se encontrava no caminho. Com uma dose de súbita inteligência, a organização posicionou um “Globo da Morte” no meio do corredor. Resultado: pessoas foram espremidas, passaram mal, se feriram e precisaram ser atendidas com urgência pela equipe médica, que, por sinal, era difícil de encontrar.

Não é justo receber desse jeito a mítica banda que, no alto de seus mais de 30 anos de estrada, veio de longe para festejar. Aliás, não é justo receber ninguém desse jeito. Muito menos as pessoas que com certeza representam a maioria e que saíram de suas casas para se divertir.

No fim, visivelmente chateado, Jerry Only arrancou todas as cordas de seu baixo e partiu. Para trás deixou um público extasiado e entorpecido por um sistema de som defeituoso que não conseguia transmitir a qualidade dos músicos. Não era possível detectar os instrumentos e, se as músicas não fossem conhecidas, seria difícil entender o que estavam cantando.

Enfim, o evento teve, e ainda tem o potencial de ser um sucesso absoluto. Mas, para isso, é necessário que haja mudanças no comportamento do público. Mais respeito é indispensável para que possamos construir uma sociedade melhor. Não adianta apontarmos o dedo para as maldades perpetradas pelos políticos, pois quando um dedo em riste aponta para os outros, três dedos apontam para nós mesmos.

Post scriptum: Um pouco antes do show dos Misfits começar, uma tradicional figura do cinema de horror brasileiro fez sua participação. Zé do Caixão sobrevoou dentro de um caixão e proclamou ao público alguns de seus famosos dizeres, bastante condizentes com o evento que se seguiria. Não contentes em apenas ver e escutar o maior personagem do gênero no país, alguns vândalos decidiram atirar garrafas até conseguir acertar uma cheia de líquido, que não me atrevo a arriscar dizer qual era, em uma pessoa, que, acima de tudo, é um senhor de mais de 70 anos chamado José Mojica Marins.

Fonte das fotos: Obaoba.com.br por Carol Mendonça e G1 por Raul Zito

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