Capas históricas e seus personagens

Existem milhares de capas emblemáticas no rock and roll, mas em alguns casos certos personagens ressaltam a importância de certas fotos, a maioria premeditadas e cheias de produção, outras feitas pelo acaso e descontraidamente. Inspirados na capa do álbum The Freewheelin’, lançado por Bob Dylan em 1963, o semanário New Muscal Express fez uma matéria especial  citando capas históricas e seus personagens.

Selecionei algumas e começo exatamente pela capa do Bob Dylan que inspirou a reportagem e que hoje serve como homenagem a Suze Rotolo (1943-2011), a garota que aparece abraçada com ele na  foto. Ela faleceu no último 24 de fevereiro, vítima de câncer. A história dessa capa é apaixonante, como tudo que Bob Dylan já fez em sua vida. Filha de italianos comunistas, Suze conheceu Dylan no Greenwich Village em 1961 aos 17 anos de idade. “Ela era a coisa mais erótica que eu já vi”, disse Dylan em seu “Memoir Chronicles-Volume One”,  de 2004. Era uma ativista dos direitos civis e também é dado a ela o credito de apresentar a Dylan a obra do poeta Arthur Rimbaud e a ópera de Bertold Brecht. O casal ficou junto por três anos e nesse meio tempo Bob Dylan escreveu algumas de suas mais belas canções, como “Blowin in The Wind”, “Masters  of War”, “A Hard Rain’s A-Gonna Fall”. Suzan Rotolo inspirou particularmente duas canções: “Don’t Think Twice It’s Allright” e  “Tomorrow is Long Time”.

A foto da capa foi tirada na 4th Street no Greenwich Village, em Nova York, num dia frio em fevereiro de 1963,  pelo fotografo Don Hunstein. É uma das capas mais marcantes do rock, uma foto íntima, relaxante e que captou um momento maravilhoso. Depois do fim do namoro com o músico, Suze se casou com um editor de cinema italiano. Ela sempre  se esquivou de comentários sobre sua relação com Dylan, mas apareceu em 2008 no documentário “No Direction Home” e também lançou o livro “Freewheelin’ Time”, que são memórias sobre sua vida no Village nos anos 60, onde ela chamou Bob Dylan de “um elefante num quarto da minha vida”. Essa é realmente uma fascinante história de amor… eu já gostava dessa capa  mesmo antes de saber desses detalhes.

Outras capas importantes do rock, também trazem fatos interessantes ligados aos seus personagens, como essa capa do primeiro álbum do U2, “Boy” lançado em 1980. O garoto da foto, Peter Rowan, é irmão de Guggi Rowan, um velho amigo de Bono e integrante da banda irlandesa Virgin Prunes. Em 1983 Peter Rowan aparece novamente na capa do álbum “War”.

Na época,  a gravadora  do U2 nos Estados Unidos alegou que a inocente foto do garoto na capa do álbum insinuava pedofilia e homossexualidade e os fez mudarem a capa para uma foto distorcida da própria banda.

Por falar em sensualidade reprimida, os ingleses do Roxy Music também sofreram com isso na capa do álbum Country Life de 1974. Brian Ferry sempre foi fã das mais belas modelos e fazia questão de colocá-las  em fotos fatais e provocantes nas capas do Roxy Music. Essa capa em questão é de 1974 e também foi proibida nos Estados Unidos. A versão americana só tinha a grama de fundo, sem as modelos. Brian Ferry conheceu as garotas Constanze Karoli e Eveline Grunwald  em Portugal e as convenceu a posarem para capa do Country Life nessa memorável foto.

Um capa bem manjada é a de Nevermind, do Nirvana, lançado em 1991. A ideia veio depois de Kurt Kobain e o baterista Dave Ghrol assistirem a um programa sobre bebês nascendo embaixo d’água. O garoto da foto é Spencer Elden, na época com três meses de vida. A mãe de Spencer recebeu apenas 200 dólares para o filho mostrar seu “pipizinho” ao mundo.

Se Brian Ferry tem obsessão por modelos, Morrissey sempre se ligou em astros cultuados do cinema. Na capa do álbum “The Queen is Dead”, do The Smiths, de 1986 aparece o ator frances  Alain Delon, numa cena do filme “L´Insoumis”.

Já no primeiro álbum dos Smiths (1984), o torso que aparece na capa é do ator bissexual Joe Dallessandro, extraída do filme “Flesh” de Andy Warhol.

O mesmo Joe Dallesandro serviu de modelo para Andy Warhol criar a capa do álbum Sticky Fingers, dos Rolling Stones, em 1971. Nesse disco, ele aparece em close  usando um blue jeans, inclusive no vinil há o detalhe de um “zíper” de verdade. Na contra-capa ele aparece de costas revelando até a marca do jeans, Levis.

Partindo para o lado mais violento, temos a capa do literalmente incendiário primeiro disco do Rage Against The Machine de 1992, com a foto chocante de Thích Quang Duc. O monge budista vietnamita ateou fogo em si mesmo até a morte, em Saigon, no ano de 1963, em protesto à repressão do presidente aos monges.

Um tipo de violência premeditada foi a capa do Pantera para o álbum Vulgar Display Of Power, de 1992 .Dizem que o cara que serviu de modelo para essa foto recebeu 10 dólares por soco. Foram necessários 30 socos para chegarem a essa foto, coitadinho!!!

Outra capa menos violenta, mas também chocante, é a do Pink Floyd para o álbum Wish You Were Here, de 1975. A foto foi tirada nos estúdios de cinema da Warner, em Los Angeles, ao fundo dá pra ver os galpões. Dois homens se cumprimentam e um deles pega fogo. Essa foto é real e dizem que teve que acontecer rapidamente antes que o outro homem pegasse fogo também. No ato da foto, dizem que o homem da esquerda estava apavorado ao cumprimentar o outro em chamas e mostra o ar de pavor e desespero dele para não entrar em chamas também.

Bem mais inocente e típica foto de  álbum de família foi essa tirada para capa do álbum do inglês Ian Dury e sua banda The Blockheads. No disco New Boots And Panties, de 1977, Ian Dury aparece numa foto bizarra ao lado de seu filho Baxter Dury, de seis anos, em frente a extinta loja da rede Woolworths. Só lembrar que esse foi um dos discos mais vendidos na Inglaterra em 1977. Ian Dury fez grandes álbuns nessa época do punk e da new wave britânica. Seu maior sucesso foi a música “Sex And Drugs And Rock And Roll”, que está nesse disco.

E por falta de personagens, Sgt.  Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, de 1967, é a vencedora e   uma das capas mais importantes do rock and roll. Já ganhaou até Grammy de melhor capa e nela foram imortalizadas figuras importantes da história que se espremem atrás dos Beatles, como Mae West, Aleister Crowley, Fred Astaire, Tony Kurtis e Karl Marx. A capa foi idealizada por Jann Harworth e Peter Blake. Elaboramos também uma resenha especial sobre este álbum.

E pra finalizar, nosso próximo personagem é um prédio de Nova York. Em 1975 o artista plástico e fotógrafo americano Peter Corriston tirou fotos de dois prédios em St Mark’s Place, um dos lugares mais cult de Nova York e com uma arquitetura espetacular. Essas fotos foram usadas na criativa capa de Physical Graffiti, do Led Zeppelin. Mais tarde, incidentalmente Mick Jagger e Keith Richards foram filmados em frente a esses mesmos prédios  para o vídeo  dos Stones da música “Waiting On a Friend”.

Texto retirado da coluna de Kid Vinil.

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Comments

  1. Me emocionei em ver essa capa do Bob Dylan, infelizmente a Suze morreu recentemente. A capa é homenageada no filme Vanilla Sky (me emociono sempre), vale a pena ouvir o albúm que é igualmente intimo quanto a o amor que era verdadeiro e juvenil, vivido pelo Dylan. Dylan continua vivo e queimando na mente de milhares de pessoas. Boa lembraça Durango🙂

    emocionada mesmo.
    “Não pense duas vezes, está tudo bem”

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