O Violão Erudito no Rock

Eu comecei na música através do violão, aprendendo os acordes básicos, tocando Guilherme Arantes, Rita Lee e outras coisas da MPB. Não gostava muito da música em si e, apesar de ter aprendido muito com elas, o que eu queria mesmo era tocar rock and roll e música clássica! Nesta época eu estava escutando muito Kiss, Queen, Ozzy Osbourne e mais tarde Yes, Pink Floyd e Emerson, Lake and Palmer, bandas que misturaram muitos estilos no rock. As influências da música erudita no rock são infinitas e vários guitarristas trouxeram esta influência para o rock, adaptando ou simplesmente copiando as melodias, técnicas e diferentes estilos do mundo erudito. Vou citar alguns que foram mais influentes para mim.

Randy Rhoads – Randy foi membro fundador da banda Quiet Riot, projeto que logo deixou para ser o primeiro guitarrista da carreira solo de Ozzy Osbourne, depois que este deixou o Black Sabbath. Eles gravaram dois álbums: Blizzard of Ozz (81) e Diary of a Madman (82). Rhoads – que infelizmente teve uma curta carreira devido a um acidente de avião no final de 1982 – trouxe muitas influências da música erudita para o metal. Além dos solos maravilhosos, de muito bom gosto e de melodias marcantes, ele colocou o violão erudito no meio de toda a porradaria do Ozzy, deu um contraste muito interessante. Um exemplo disso é a música “Dee”, dedicado à sua mãe. É uma peça para violão solo com fortes influências barrocas.

No segundo disco, Randy “emprestou” um estudo para violão do compositor cubano Leo Brower para a introdução da música “Diary of a madman”. Apesar não aparecer nenhum crédito ou referência no disco, quando se escuta as duas composições a constatação é óbvia.

Steve Howe – Mestre guitarrista/violonista do grande Yes, Asia, entre outros projetos e discos solos. Steve domina a arte das seis cordas como ninguém, tem fortes influências do jazz e da música erudita, principalmente quando toca o seu violão com cordas de nylon, perfeito para o estilo. Um dos primeiros temas que aprendi a tocar foi “Mood for a day” do disco Fragile, do Yes. É uma peça tecnicamente difícil e que mostra claramente as misturas de ritmos e melodias que existe na música de Howe, uma verdadeira biblioteca musical, com erudito, folk, blues, jazz e rock. Fantástico músico, ele inclusive gravou uma versão com guitarra e orquestra de um concerto de Vivaldi.

Steve Howe ensina Mood for a Day

Gary Holt – Gary é o brutal, e principal guitarrista do grupo norte-americano Exodus. Ele tem uma das mãos direitas mais perfeitas do trash metal. No clássico álbum Bonded by Blood (84) Mr. Holt demostra toda a sua habilidade nos solos e pertes rítmicas, riffs poderosos que marcaram uma geração. No meio de tudo isso, como já havia feito Randy Rhoads, Gary coloca uma linda peça tocada no violão, um tema que lembra os das danças medievais. É a introdução para a música “No love”, é também de uma técnica apurada, com duas melodias simultâneas e de andamento acelerado. No disco seguinte, Pleasures of the flesh (85), Gary colocou outra peça de inlfuência erudita e que impressiona pela dificuldade técnica e a beleza melódica.

Uma outra “intervenção” interessante do violão erudito no rock vêm da banda The Doors. Na música “Spanish Caravan” o guitarrista Robby Krieger coloca uma parte do tema “Asturias” que faz parte da Suíte Espanhola do compositor Isaac Albeniz. É um tema bastante conhecido no mundo do violão e que faz parte do repertório da grande maioria dos violonistas que se apresentam pelo planeta.

Eu trouxe esta influência para a música do Sepultura e também gravei alguns temas instrumentais para o violão solo. No meu primeiro disco com a banda, o Schizophrenia, eu gravei uma pequena peça, bastante influenciada por Randy Rhoads, chamada “The Abyss”:

Fora estes guitarristas que mencionei e que foram mais específicos em demonstrar a suas influências vindas do violão erudito, eu não posso deixar de citar os grandes mestres Richie Blackmore, Ingwie Malmsteen, Paul Gilbert e Brian May, que usam suas guitarras como verdadeiros violinos, fazendo coisas maravilhosas e desafiadoras, estimulando o virtuosismo nestes instrumentos, guitarra e violão, que aparentemente não tem limites.

Abraço, play it loud!

Andreas Kisser

Texto retirado da coluna de Andreas Kisser no Yahoo!

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